Wednesday, July 31, 2013

IRACEMA: ALENCAR E BUARQUE

“[...] escreveu o que é mais poema
Que romance, e poema menos
Que um mito, melhor que Vênus.”

Manuel Bandeira sobre o romance Iracema


Analisar comparativamente o romance "Iracema", de José de Alencar, e a canção "Iracema voou", composta por Chico Buarque, considerando o contexto histórico e social em que foram escritos. Chico Buarque retoma a figura de Iracema, construída romanticamente por José de Alencar, e a apresenta sob a ótica da contemporaneidade. Analise os olhares dos dois autores sobre a personagem Iracema. 

Link para acessar o romance "Iracema":
http://www.literaturabrasileira.ufsc.br/documentos/?action=download&id=27776

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Iracema Voou  - Chico Buarque (1998)

Iracema voou
Para a América
Leva roupa de lã
E anda lépida
Vê um filme de quando em vez
Não domina o idioma inglês
Lava chão numa casa de chá
Tem saído ao luar
Com um mímico
Ambiciona estudar
Canto lírico
Não dá mole pra polícia
Se puder, vai ficando por lá
Tem saudade do Ceará
Mas não muita
Uns dias, afoita
Me liga a cobrar
É Iracema da América




Wednesday, June 26, 2013

IMAGENS POÉTICAS

Tanto o trecho do poema "Cão sem plumas", II. Paisagem do Capibaribe, de João Cabral de Melo Neto, quanto as Liras de "Marília de Dirceu", de Tomás Antonio Gonzaga, constroem imagens a partir de elementos da natureza, porém os poemas foram escritos em tempo e contexto diferentes, denunciando e abordando questões pertinentes. Considerando tais aspectos, elabore uma analise comparativa entre as imagens poéticas construídas por João Cabral de Melo Neto e por Tomás Antonio Gonzaga. 


II. Paisagem do Capibaribe 

Entre a paisagem 
o rio fluía 
como uma espada de líquido espesso. 
Como um cão 
humilde e espesso. 

Entre a paisagem 
(fluía) 
de homens plantados na lama; 
de casas de lama 
plantadas em ilhas 
coaguladas na lama; 
paisagem de anfíbios 
de lama e lama. 

Como o rio 
aqueles homens 
são como cães sem plumas 
(um cão sem plumas 
é mais 
que um cão saqueado; 
é mais 
que um cão assassinado. 

Um cão sem plumas 
é quando uma árvore sem voz. 
É quando de um pássaro 
suas raízes no ar. 
É quando a alguma coisa 
roem tão fundo 
até o que não tem). 

O rio sabia 
daqueles homens sem plumas. 
Sabia 
de suas barbas expostas, 
de seu doloroso cabelo 
de camarão e estopa. 

Ele sabia também 
dos grandes galpões da beira dos cais 
(onde tudo 
é uma imensa porta 
sem portas) 
escancarados 
aos horizontes que cheiram a gasolina. 

E sabia 
da magra cidade de rolha, 
onde homens ossudos, 
onde pontes, sobrados ossudos 
(vão todos 
vestidos de brim) 
secam 
até sua mais funda caliça. 

Mas ele conhecia melhor 
os homens sem pluma. 
Estes 
secam 
ainda mais além 
de sua caliça extrema; 
ainda mais além 
de sua palha; 
mais além 
da palha de seu chapéu; 
mais além 
até 
da camisa que não têm; 
muito mais além do nome 
mesmo escrito na folha 
do papel mais seco. 

Porque é na água do rio 
que eles se perdem 
(lentamente 
e sem dente). 
Ali se perdem 
(como uma agulha não se perde). 
Ali se perdem 
(como um relógio não se quebra). 

Ali se perdem 
como um espelho não se quebra. 
Ali se perdem 
como se perde a água derramada: 
sem o dente seco 
com que de repente 
num homem se rompe 
o fio de homem. 

Na água do rio, 
lentamente, 
se vão perdendo 
em lama; numa lama 
que pouco a pouco 
também não pode falar: 
que pouco a pouco 
ganha os gestos defuntos 
da lama; 
o sangue de goma, 
o olho paralítico 
da lama. 

Na paisagem do rio 
difícil é saber 
onde começa o rio; 
onde a lama 
começa do rio; 
onde a terra 
começa da lama; 
onde o homem, 
onde a pele 
começa da lama; 
onde começa o homem 
naquele homem. 

Difícil é saber 
se aquele homem 
já não está 
mais aquém do homem; 
mais aquém do homem 
ao menos capaz de roer 
os ossos do ofício; 
capaz de sangrar 
na praça; 
capaz de gritar 
se a moenda lhe mastiga o braço; 
capaz 
de ter a vida mastigada 
e não apenas 
dissolvida 
(naquela água macia 
que amolece seus ossos 
como amoleceu as pedras). 


(Trecho do poema "Cão sem plumas", de João Cabral de Melo Neto) 
Para conhecer mais sobre a vida e a obra do poeta recifense acesse: 
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LIRA XIII
Vês, Marília, um cordeiro
De flores enramado,
Como alegre corre
A ser sacrificado?
O Povo para o Templo já concorre;
A Pira sacrossanta já se acende;
O Ministro o fere, ele bala, e morre.


Vês agora o novilho,
A quem segura o laço,
No chão as mãos especa,
Nem quer mover um passo.
Não conhece que sai de um mau terreno;
Que o forte pulso, que a seguir o arrasta,
O conduz a viver num campo ameno.


Ignora o bruto como
Lhe dispomos a sorte;
Um vai forçado à vida,
Vai outro alegre à morte:
Nós temos, minha bela, igual demência;
Não sabemos os fins, com que nos move
A sábia, oculta Mão da Providência.


De Jacó ao bom filho
Os maus matar quiseram.
De conselho muraram.
Como escravo o venderam.
José não corre a ser um servo aflito;
Vai subindo os degraus, por onde chega
A ser um quase Deus no grande Egito.


Quem sabe o Destino
Hoje, ó Bela, me prende.
Só porque nisto de outros
Mais danos me defende?
Pode ainda raiar um claro dia.
Mas quer raie, quer não, ao Céu adoro;
E beijo a santa mão, que assim me guia.


(Lira XIII, do livro "Marília de Dirceu", de Tomás Antonio Gonzaga)
Para acessar "Marília de Dirceu" clique aqui:
http://www.literaturabrasileira.ufsc.br/documentos/?action=download&id=28390

Wednesday, May 22, 2013

VISÕES DO AMOR NO PERÍODO BARROCO SOB A PERSPECTIVA DO CRISTIANISMO

DISCUSSÃO SOBRE O AMOR:
- Relacionar o "Sermão do Mandato", de Antonio Vieira, com os poemas da Soror Juana Inés de la Cruz (madre mexicana) para mostrar as diferentes visões do amor no cristianismo durante o período barroco.


Link para acessar o "Sermão do Mandato (1650)", do Padre Antonio Vieira:
http://www.literaturabrasileira.ufsc.br/documentos/?action=download&id=12169


Retrato do Padre António Vieira, de autor desconhecido do início do século XVIII.


Carta escrita por Soror Juana, em novembro de 1690, em Puebla de los Ángeles,   
a pedido do bispo Manuel Fernandes de Santa Cruz. A carta é uma crítica 
ao Sermão do Mandato, do Padre Antonio Vieira
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O QUE INGRATO ME DEIXA BUSCO AMANTE
Traduzido por Anderson Braga Horta

O que ingrato me deixa busco amante;                     
o que amante me segue deixo ingrata;
adoro fiel quem meu amor maltrata;
firo quem meu amor busca constante.

O que trato de amor, acho-o diamante,
e sou diamante ao que de amor me trata;
triunfante quero ver o que me mata,
e mato o que quer ver-me triunfante.

Se a este acedo, padece o meu desejo;
se rogo àquele, o pundonor enojo;
de ambos os modos infeliz me vejo.

Assim, prefiro, por menor antojo,
de quem não quero, ser cruel motejo
a, de quem não me queira, vil despojo.




Retrato de Soror Juana Inés de la Cruz. Miguel Cabrea, 1750

QUANDO MEU ERRO EM TEU OPRÓBRIO VEJO

Quando meu erro em teu opróbrio vejo,
contemplo, Sílvio, deste amor errado,
quão grave é a malícia do pecado,
quão violenta a força de um desejo.

Mal creio, e de lembrar-me ainda me pejo,
que pudesse caber em meu cuidado
o último degrau do desprezado,
o termo, enfim, de mal tomado ensejo.

Eu bem quisera, quando chego a ver-te,
vendo este infame amor, poder negá-lo;
porém logo a razão justa me adverte

de que só há remédio em publicá-lo:
porque do grão delito de querer-te
só é pena bastante o confessá-lo.

Wednesday, March 20, 2013

CAMINHA E STADEN: RETRATOS DA AMÉRICA

Construa um "diálogo" entre os retratos de Hans Staden e os relatos descritos por Pero Vaz de Caminha na "Carta a El Rei D. Manuel". 

Materiais de apoio: 

- Viagem ao Brasil, de Hans Staden: http://purl.pt/151/1/index.html





Fonte: http://facadaleitemoca.files.wordpress.com/2010/07/cannibals-23232.jpg

Fonte: http://tendimag.files.wordpress.com/2012/12/theodore-de-bry-dritte-
buch-americae-a-partir-de-hans-staden-frankfurt-m-1593.jpg

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Ic000006tatu.gif

Fonte: http://www.raulmendesilva.pro.br/pintura/images/indio_fumando.jpg


Tuesday, March 05, 2013

LEITURA INDIVIDUAL: CARTA A EL REI D. MANUEL ESCRITA POR PERO VAZ DE CAMINHA

 Leitura individual: Carta a El Rei D. Manuel escrita por  Pero Vaz de Caminha



Para acessar a carta na Biblioteca Digital: http://www.literaturabrasileira.ufsc.br/
- Ir em Busca
- Digitar Carta de Pero Vaz de Caminha
- Forma de busca: Qualquer Palavra
- Depois de feita a busca, selecionar a opção "Apenas obras digitalizadas"
- Entrar em "Carta a El Rei D. Manuel"
- Ir em "Documento disponível para download"


Discussão: 20/03


Wednesday, November 21, 2012

LEITURA GUIADA - O RELÓGIO DE OURO - MACHADO DE ASSIS

LEITURA GUIADA CONTO - O RELÓGIO DE OURO - MACHADO DE ASSIS


Escute a leitura do conto O Relógio de Ouro, de Machado de Assis e posteriormente desenvolva uma  análise crítica, associando texto/contexto, salientando as críticas sociais operadas pelo texto.
Consulte informações - PROJETO RELÓGIO DE OURO

Acesse o texto na Biblioteca do NUPILL:



Data para a atividade: 21/11/2012

Monday, November 05, 2012

Construção: ensaio/artigo

PROBLEMA
1.  Quais os traços identificadores do folhetim romântico em O Guarani, de José de Alencar, e em A escrava, de Bernardo Guimarães?
ou
2. Quais os traços identificadores do teatro romântico - comédia de costumes - em Plebiscito, de Arthur Azevedo e O Noviço, de Martins Pena?



REFERÊNCIAS

O Guarani http://www.literaturabrasileira.ufsc.br/documentos/?id=129542

A escrava Isaura http://www.literaturabrasileira.ufsc.br/documentos/?id=142134

Plebiscito (Histórias Brejeiras) http://www.literaturabrasileira.ufsc.br/documentos/?action=download&id=28277#plebiscito

Revista eletrônica Mafuá http://www.mafua.ufsc.br/numero07/ensaios/vailati.htm - OBS.: Ler as diretrizes para publicação e os ensaios/artigos publicados.

DISCO VIRTUAL

- O romance (power point)
- O teatro romântico brasileiro (power point)

PERÍODO DE POSTAGEM - PRODUÇÃO INDIVIDUAL 

1ª versão até 21/11
2ª versão até 28/11


Tuesday, September 25, 2012

Imagens da escravidão


Construa um "diálogo" entre a imagem poética traçada por Castro Alves no poema "Tragédia no lar"  (disponível em http://www.literaturabrasileira.ufsc.br/documentos/?action=download&id=28200#Trag%C3%A9dianolar) e as imagens pictóricas: "Interior de uma casa do baixo povo" de J.C. Guillobel e "Mantiqueira" de Johann Moritz Rugendas.

Dicas: 
- Consulte o dicionário em caso de dúvida vocabular;
- O poema de Castro Alves é uma canção: poderá investigar as características do gênero; 
- Como as imagens poéticas e pictóricas refletem valores e a história de uma época;



J.C. Guillobel - "Interior de uma casa do baixo povo" (1820) 


Johann Moritz Rugendas - "Mantiqueira" 

Monday, July 02, 2012

Atividade de leitura - poema épico Uraguai, de Basílio da Gama

Atividade de leitura - poema épico Uraguai, de Basílio da Gama 

1 - A crítica classifica o poema épico Uraguai como um poema americano. Explique em quais passagens poéticas a cultura indígena é explorada como valores diferenciados ante a cultura europeia.

2 - Quais as forças mitológicas determinadoras da cultura guarani no poema épico Uraguai?

3 - Por quais razões Uraguai é demarcado literariamente como árcade?

4 - O Uraguai transita pelas páginas da literatura oferecendo uma visão geral do espaço e da época missioneira, de seus personagens índios e padres, de seus mitos, heróis e lendas. Pergunta-se: Qual a imagem da campanha jesuítica missioneira fixada poeticamente?

Para acessar o poema clique no link abaixo:

http://www.literaturabrasileira.ufsc.br/_documents/0006-01121.html   

Tuesday, June 19, 2012

Análise comparativa de poemas de José de Anchieta e Gregório de Matos

Leia comparativamente os poemas "Ao Santíssimo Sacramento" de José de Anchieta e "A Jesus Cristo Nosso Senhor" (Ao mesmo assumpto e na mesma occasião in site: Literatura Brasileira - UFSC), contrapondo as visões de mundo Quinhentista e Barroca.


Para ler o poema "A Jesus Cristo Nosso Senhor" de Gregório de Matos acesse o link abaixo:

http://www.literaturabrasileira.ufsc.br/_documents/0006-00944.html#II11


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Ao Santíssimo Sacramento
José de Anchieta

Oh que pão, oh que comida,
Oh que divino manjar
Se nos dá no santo altar
Cada dia.
Filho da Virgem Maria
Que Deus Padre cá mandou
E por nós na cruz passou
Crua morte.
E para que nos conforte
Se deixou no Sacramento
Para dar-nos com aumento
Sua graça.
Esta divina fogaça
É manjar de lutadores,
Galardão de vencedores
Esforçados.
Deleite de enamorados
Que com o gosto deste pão
Deixem a deleitarão
Transitória.
Quem quiser haver vitória
Do falso contentamento,
Goste deste sacramento
Divinal.
Ele dá vida imortal,
Este mata toda fome,
Porque nele Deus é homem
Se contêm.
É fonte de todo bem
Da qual quem bem se embebeda
Não tenha medo de queda
Do pecado.
Oh! que divino bocado
Que tem todos os sabores,
Vindes, pobres pecadores,
A comer.
Não tendes de que temer
Senão de vossos pecados;
Se forem bem confessados,
Isso basta.
Que este manjar tudo gasta,
Porque é fogo gastador,
Que com seu divino ardor
Tudo abrasa.
É pão dos filhos de casa
Com que sempre se sustentam
E virtudes acrescentam
De contino.
Todo al é desatino
Se não comer tal vianda,
Com que a alma sempre anda
Satisfeita.
Este manjar aproveita
Para vícios arrancar
E virtudes arraigar
Nas entranhas.
Suas graças são tamanhas,
Que se não podem contar,
Mas bem se podem gostar
De quem ama.
Sua graça se derrama
Nos devotos corações
E os enche de benções
Copiosas.
Oh que entranhas piedosas
De vosso divino amor!
Ó meu Deus e meu Senhor
Humanado!
Quem vos fez tão namorado
De quem tanto vos ofende?!
Quem vos ata, quem vos prende
Com tais nós?!
Por caber dentro de nós
Vos fazeis tão pequenino
Sem o vosso ser divino,
Se mudar.
Para vosso amor plantar
Dentro em nosso coração
Achastes tal invenção
De manjar,
Em o qual nosso padar
Acha gostos diferentes
Debaixo dos acidentes
Escondidos.
Uns são todos incendidos
Do fogo de vosso amor,
Outros cheios de temor
Filial,
Outros com o celestial
Lume deste sacramento
Alcançam conhecimento
De quem são,
Outros sentem compaixão
De seu Deus que tantas dores
Por nos dar estes sabores
Quis sofrer.
E desejam de morrer
Por amor de seu amado,
Vivendo sem ter cuidado
Desta vida.
Quem viu nunca tal comida
Que é o sumo de todo bem,
Ai de nós que nos detém
Que buscamos!
Como não nos enfrascamos
Nos deleites deste Pão
Com que o nosso coração
Tem fartura.
Se buscarmos formosura
Nele está toda metida,
Se queremos achar vida,
Esta é.
Aqui se refina a fé,
Pois debaixo do que vemos,
Estar Deus e homem cremos
Sem mudança.
Acrescenta-se a esperança,
Pois na terra nos é dado
Quanto lá nos céus guardado
Nos está.
A caridade que lá
Há de ser aperfeiçoada,
Deste pão é confirmada
Em pureza.
Dele nasce a fortaleza,
Ele dá perseverança,
Pão da bem-aventurança,
Pão de glória.
Deixado para memória
Da morte do Redentor,
Testemunho de Seu amor
Verdadeiro.
Oh mansíssimo Cordeiro,
Oh menino de Belém,
Oh Jesus todo meu Bem,
Meu Amor.
Meu Esposo, meu Senhor,
Meu amigo, meu irmão,
Centro do meu coração,
Deus e Pai.
Pois com entranhas de Mãe
Quereis de mim ser comido,
Roubai todo meu sentido
Para vós
Prendei-me com fortes nós,
Iesu, filho de Deus vivo,
pois que sou vosso cativo,
que comprastes
Com o sangue que derramastes,
Com a vida que perdestes,
Com a morte que quisestes
Padecer.
Morra eu, por que viver
Vós possais dentro de mim;
Ganha-me, pois me perdi
Em amar-me.
Pois que para incorporar-me
E mudar-me em vós de todo,
Com um tão divino modo
Me mudais.
Quando na minha alma entrais
É dela fazeis sacrário,
De vós mesmo é relicário
Que vos guarda.
Enquanto a presença tarda
De vosso divino rosto,
O saboroso e doce gosto
Deste pão
Seja minha refeição
E todo o meu apetite,
Seja gracioso convite
De minha alma.
Ar fresco de minha calma,
Fogo de minha frieza,
Fonte viva de limpeza,
Doce beijo.
Mitigador do desejo
Com que a vós suspiro, e gemo,
Esperança do que temo
De perder.
Pois não vivo sem comer,
Como a vós, em vós vivendo,
Vivo em vós, a vós comendo,
Doce amor.
Comendo de tal penhor,
Nela tenha minha parte,
E depois de vós me farte
Com vos ver.
Amém.

Friday, May 25, 2012

Leitura do Sermão da Sexagésima do Padre Antônio Vieira


Leia o Sermão da Sexagésima do Padre Antônio Vieira e considere na sua leitura a visão crítica de Jamil Almansur Haddad, que ao analisar o texto barroco de Vieira considera:
 

"O problema estilístico em Vieira é fundamentalmente uma questão de ritmo, visto que é o unificador. O estilo Vieira é condicionado por todo um sistema orgânico de repetições. A condição rítmica traduz-se pela presença de figuras retóricas conhecidas ( a anáfora, o trocadilho, uma aparatosa nomenclatura / o paralelismo - modo de transmitir pluralidade de forma unitária).
Vieira transmite “unidade na variedade”. Se é possível juntar numa unidade só branco e branco, o é da mesma maneira a unificação de branco e preto. A antítese acaba sendo muito mais paralelismo do que divergência, daí o entendimento de que o barroco não faz mais do que hipertrofiar o classicismo. Acéro já dissera que “as oposições de palavras, as antíteses são os mais belos ornamentos do discurso”."
  
VIEIRA, Antônio. Sermões. Prefácio de Jamil Almansur Haddad. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1954

Aspectos a serem considerados na leitura e postados no blog poeticatecnologica.blogspot.com:

  •   Faça um levantamento das figuras retóricas e os sentidos retrabalhados no texto. 

 

Para acessar o Sermão da Sexagésima

- Entrar no site do Domínio Público (http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/PesquisaObraForm.jsp).
- Em tipo de mídia escolher "texto" e em título por "Sermão da Sexagésima".
- Clicar em baixar.

Tuesday, May 08, 2012

Leituras de poemas líricos/amorosos de Gregório de Matos (1636-1695)


Leia os poemas líricos de Matos no site do Núcleo de Pesquisas em Informática, Linguística e Literatura – NUPILL e selecione três poemas e analise os seguintes aspectos:


•Faça um levantamento dos elementos determinadores do lírico/amoroso.
•Identifique o perfil da musa.
•Situe os poemas no momento histórico.
•Identifique os conflitos Barrocos contidos nos poemas.



Deixe seu comentário analítico.
Prazo: 09/05/2012.



Para acessar o site http://www.nupill.org/

- Entrar em Projetos - Biblioteca Digital de Literatura (barra esquerda)
- Ir em "Mais acessados"
- Entrar em "Obras Poéticas de Gregório de Matos Guerra"
- Ir em "Documento disponível para download"

Tuesday, December 06, 2011

Exercício reflexivo sobre BURABAS – Adolfo Boos Júnior

DATA DE POSTAGEM – 05/12
EQUIPES ATÉ 5 COMPONENTES


Boos Jr em BURABAS segue a tradição euclidiana de desenterrar fatos sufocados pela história oficial, o primeiro faz emergir em sua escrita o massacre de Canudos, enquanto que o segundo ilumina a Guerra do Contestado, mostrando a complexidade de fatores que envolveram essas lutas.
Discorra exemplificando como a Guerra do Contestado é abordada romanescamente em BURABAS.

Monday, November 21, 2011

Poesia em Meio Eletrônico - Arnaldo Antunes

Circule pelo site de Arnaldo Antunes, selecione um poema e comente nesta postagem a sua análise.

http://www.arnaldoantunes.com.br/
- Artes
- Poemas

Wednesday, November 09, 2011

Exercício Analítico - Literatura Brasileira I

EXERCÍCIO ANALÍTICO - ROMANCES ROMÂNTICOS

Exercício em grupo - postar no blog poeticatecnologica.blogspot.com até 29/11 –





1. A Fantasia é um dos elementos mais valorizados na ficção romântica. Como Alencar, Taunay e Machado utilizam a fantasia na construção das heroínas Iracema, Inocência e Helena?

2. De que modo o jogo realidade/fantasia é construído nos romances: Iracema de Alencar; Inocência de Taunay e Helena de Machado de Assis? Discorra discursivamente sobre o jogo e exemplifique.

Monday, August 15, 2011

Atividade de análise Literatura 1

Proposta de análise:


Exercício em grupo - postar no blog poeticatecnologica.blogspot.com até 19/08

Investigar comparativamente o conceito de amor propostos nos poemas Se Se Morre de Amor – Gonçalves Dias e Perdoa-me, Visão dos Meus Amores – Álvares de Azevedo, demonstrando a variação da percepção do amor no período.

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Se Se Morre de Amor



Se se morre de amor! – Não, não se morre,
Quando é fascinação que nos surpreende
De ruidoso sarau entre os festejos;
Quando luzes, calor, orquestra e flores
Assomos de prazer nos raiam n’alma,
Que embelezada e solta em tal ambiente
No que ouve e no que vê prazer alcança!


Simpáticas feições, cintura breve,
Graciosa postura, porte airoso,
Uma fita, uma flor entre os cabelos,
Um quê mal definido, acaso podem
Num engano d’amor arrebentar-nos.
Mas isso amor não é; isso é delírio
Devaneio, ilusão, que se esvaece
Ao som final da orquestra, ao derradeiro


Clarão, que as luzes ao morrer despedem:
Se outro nome lhe dão, se amor o chamam,
D’amor igual ninguém sucumbe à perda.
Amor é vida; é ter constantemente
Alma, sentidos, coração – abertos
Ao grande, ao belo, é ser capaz d’extremos,
D’altas virtudes, té capaz de crimes!


Compreender o infinito, a imensidade
E a natureza e Deus; gostar dos campos,
D’aves, flores,murmúrios solitários;
Buscar tristeza, a soledade, o ermo,
E ter o coração em riso e festa;
E à branda festa, ao riso da nossa alma
fontes de pranto intercalar sem custo;
Conhecer o prazer e a desventura
No mesmo tempo, e ser no mesmo ponto
O ditoso, o misérrimo dos entes;
Isso é amor, e desse amor se morre!


Amar, é não saber, não ter coragem
Pra dizer que o amor que em nós sentimos;
Temer qu’olhos profanos nos devassem
O templo onde a melhor porção da vida
Se concentra; onde avaros recatamos
Essa fonte de amor, esses tesouros
Inesgotáveis d’lusões floridas;
Sentir, sem que se veja, a quem se adora,
Compreender, sem lhe ouvir, seus pensamentos,
Segui-la, sem poder fitar seus olhos,
Amá-la, sem ousar dizer que amamos,
E, temendo roçar os seus vestidos,
Arder por afogá-la em mil abraços:
Isso é amor, e desse amor se morre!


Gonçalves Dias, Poemas e Poesias

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Perdoa-me, visão dos meus amores


Perdoa-me, visão dos meus amores,
Se a ti ergui meus olhos suspirando! ...
Se eu pensava num beijo desmaiando
Gozar contigo uma estação de flôres!

De minhas faces os mortais palores,
Minha febre noturna delirando,
Meus ais, meus tristes ais vão revelando
Que peno e morro de amorosas dores...

Morro, morro por ti! na minha aurora
A dor do coração, a dor mais forte,
A dor de um desengano me devora...

Sem que última esperança me conforte,
Eu - que outrora vivia! - eu sinto agora
Morte no coração, nos olhos morte!

Alvares de Azevedo



Wednesday, June 15, 2011

Caminhos para acesso aos poemas satíricos de Gregório de Matos

Acessar o site http://www.nupill.org/

- Entrar em Projetos - Biblioteca Digital de Literatura (barra esquerda)
- Ir em Busca
- Digitar Gregório de Matos
- Depois de feita a busca, selecionar a opção "Apenas obras digitalizadas"
- Entrar em "Obras Poéticas de Gregório de Matos Guerra"
- Ir em "Documento disponível para download"

Monday, May 02, 2011

Gregório de Matos (1636-1695)






Leia os poemas satíricos de Matos no site do Núcleo de Pesquisas em Informática, Linguística e Literatura – NUPILL e selecione três poemas e analise os seguintes aspectos:








•Faça um levantamento dos elementos determinadores da sátira.
•Identifique o objeto da sátira.
•Situe os poemas no momento histórico.
•Identifique os aspectos Barrocos contidos nos poemas.


Deixe seu comentário analítico.
Prazo: 28/06/2011.

Thursday, December 09, 2010

Análise dos Contos de Clarice Lispector



ATIVIDADE:

Letras - 2º ano



- Fazer uma análise de um dos contos estudados de Clarice Lispector, segundo a teoria de Bakhtin.
- Colocar título e nome dos integrantes.

- DATA PARA POSTAGEM: até 14/12 - terça-feira

Taiza Mara Rauen Moraes

Sunday, November 28, 2010

Poesia concreta, visual e animada no Ciberespaço

O site de Arnaldo Antunes e Augusto de Campos mostram trabalhos poéticos com dinâmicas diferentes, que requerem uma maior mediação tecnológica, tanto na criação quanto na fruição da obra. São poemas concretos, visuais, clip-poemas e poemas animados publicados no Ciberespaço.

Nessas obras, o imbricamente de linguagens não se dá somente na relação entre verbo x tecnologia, mas também entre literário x plástico. Tentando aplicar a proposta de análise de Pietroforte, escolha o poema que mais lhe impactou e poste um comentário.

link do power point sobre Semiótica Visual (Pietroforte)


link do site de Augusto de Campos

link do site de Arnaldo Antunes