Wednesday, August 19, 2015
Literando: Edição Lima Barreto
O caderno literário Literando é um projeto da disciplina de Teoria da Literatura II do curso de Letras da Univille, ministrada pela professora Taiza Mara Rauen Moraes. Esta edição conta com ensaios sobre as obras e vida de Lima Barreto.
Thursday, May 07, 2015
O DISCURSO COMO INSTRUMENTO DE PROPAGAÇÃO DA FÉ
EXERCÍCIO REFLEXIVO – SERMÃO DA SEXAGÉSIMA – PADRE ANTÔNIO VIEIRA
1. O Barroco foi um movimento que apresentou especificidades complexas e de difícil compreensão, como a oposição do mundo material com o espiritual. Um exemplo é a representação da pintura Vênus e Adonis, de Rubens (1577 - 1640):
Como esses contrapontos aparecem no Sermão da Sexagésima, de Padre Antônio Vieira, sabendo que o texto apresenta elementos clássicos e barrocos?
2. “A unidade barroca não é a mesma que a clássica que nos induz a ver em detalhe. A unidade barroca convida a ver como um todo. Teríamos no caso uma “unidade absoluta em que as partes perderam seus direitos individuais” pois que o barroco abole a independência uniforme das partes em favor de um motivo total mais uniforme.” (VIEIRA, Antônio. Sermões. Prefácio de Jamil Almansur Haddad. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1954)
A partir do parágrafo acima, discorra sobre a limitação de assunto nos sermões de Vieira.
Wednesday, March 25, 2015
A VOZ INDÍGENA - DO SÉCULO XVI À CONTEMPORANEIDADE
Leia o seguinte trecho da Carta de Pero Vaz de Caminha:
(Fonte: Biblioteca do Nupill)
Transplantação da cultura metropolitana
“E daqui mandou o Capitão que Nicolau Coelho e Bartolomeu Dias fossem em terra e levassem aqueles dois homens, e os deixassem ir com seu arco e setas, aos quais mandou dar a cada um uma camisa nova e uma carapuça vermelha e um rosário de contas brancas de osso, que foram levando nos braços, e um cascavel e uma campainha. E mandou com eles, para lá ficar, um mancebo degredado, criado de dom João Telo, de nome Afonso Ribeiro, para lá andar com eles e saber de seu viver e maneiras.”
(Fonte: Biblioteca do Nupill)
O fragmento a seguir foi retirado do texto "Cultura Colonial", de Werneck Sodré:
Transplantação da cultura metropolitana
Antes de tudo, é preciso compreender que, nas condições apresentadas pelo Brasil, no alvorecer do século XVI, a transplantação, como já esclareceu alguém, representou expediente historicamente necessário para permitir, rompendo o ritmo espontâneo de desenvolvimento, a passagem da extensa área de predomínio da comunidade primitiva, sob organização tribal - no estágio da pedra lascada - à fase mercantil, em que se insere como objeto de empresa de consideráveis proporções. A transplantação, no caso, importava em queimar etapas intermediárias. O processo tem todos os traços de brutalidade, de que será consequência, inclusive, culturais, na área em que se implanta, com os recursos humanos e materiais importados, a grande propriedade escravista fornecedora de mercados externos.
(Fonte: Nelson Werneck Sodré, “Síntese da história da cultura brasileira”, Editora Bertrand Brasil, Rio de Janeiro, 2003, 20º Ed.)
A seguir, ouça a canção “Índios”, da banda Legião Urbana, e atenha-se às estrofes transcritas abaixo:
Quem me dera ao menos uma vez
Ter de volta todo o ouro que entreguei a quem
Conseguiu me convencer que era prova de amizade
Se alguém levasse embora até o que eu não tinha
Quem me dera ao menos uma vez
Esquecer que acreditei que era por brincadeira
Que se cortava sempre um pano de chão
De linho nobre e pura seda
Ter de volta todo o ouro que entreguei a quem
Conseguiu me convencer que era prova de amizade
Se alguém levasse embora até o que eu não tinha
Quem me dera ao menos uma vez
Esquecer que acreditei que era por brincadeira
Que se cortava sempre um pano de chão
De linho nobre e pura seda
Quem me dera ao menos uma vez
Explicar o que ninguém consegue entender
Que o que aconteceu ainda está por vir
E o futuro não é mais como era antigamente
Quem me dera ao menos uma vez
Provar que quem tem mais do que precisa ter
Quase sempre se convence que não tem o bastante
Fala demais por não ter nada a dizer
Quem me dera ao menos uma vez
Que o mais simples fosse visto
Como o mais importante
Explicar o que ninguém consegue entender
Que o que aconteceu ainda está por vir
E o futuro não é mais como era antigamente
Quem me dera ao menos uma vez
Provar que quem tem mais do que precisa ter
Quase sempre se convence que não tem o bastante
Fala demais por não ter nada a dizer
Quem me dera ao menos uma vez
Que o mais simples fosse visto
Como o mais importante
Mas nos deram espelhos e vimos um mundo doente
Percebendo a diferença dos olhares do branco quinhentista ecoado pela voz de Caminha, de um estudioso da colonização portuguesa no Brasil, de uma canção popular e de um Cacique de etnia Apurinã, desenvolva reflexões sobre os rumos culturais do Brasil.
Carta de Caminha completa disponível em: http://www.literaturabrasileira.ufsc.br/documentos/?action=download&id=29021
Friday, October 10, 2014
Wednesday, May 14, 2014
Leitura e Análise do Mito de Vênus
1. Leia a pintura de Botticelli e as leituras contemporâneas da obra O Nascimento de Vênus que circulam na internet.
Sandro Botticelli - O Nascimento de Vênus (1484–1486)
Releituras contemporâneas de "O Nascimento de Vênus"
2. Agora, leia a Lira XXX de Marília de Dirceu de Gonzaga e estabeleça relações entre a construção e a leitura do mito na pintura clássica, no poema árcade e nas imagens que circulam na cultura digital.
Marília de Dirceu, de Tomaz Antonio Gonzaga
Lira XXX
Junto a uma clara fonte
A mãe de Amor s assentou,
Encostou na mão o rosto,
No leve sono pegou.
Cupido, que a viu de longe,
Contente ao lugar correu;
Cuidando que era Marília
Na face um beijo lhe deu.
Acorda Vênus irada:
Amor a conhece; e então
Da ousadia, que teve,
Assim lhe pede o perdão:
“Foi fácil, ó Mãe formosa,
“Foi fácil o engano meu;
“Que o semblante de Marília
“É todo o semblante teu.”
Fonte:
GONZAGA, Tomaz Antonio. Marília de Dirceu. 1. ed., São Paulo: Ediouro. (Prestígio)
Para acessar a obra completa:
http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/bv000301.pdf
Wednesday, March 26, 2014
Reflexos contemporâneos do período barroco
Assista à reportagem que segue, a respeito da segregação religiosa, e correlacione com o “Sermão do bom sucesso pelas armas de Portugal contra as de Holanda”, do Padre Antônio Vieira.
Analise as questões:
Como
essa segregação é apresentada pelo Padre Vieira e como isto é refletido na
contemporaneidade? Como você analisa a fraternidade proposta pelo Padre Vieira?
Link para acessar o “Sermão do bom sucesso pelas armas de Portugal contra as de Holanda”.
Friday, March 21, 2014
Sinfonias de Olavo Bilac e Cruz e Souza
Relacione a Sinfonia de Dvorák com a construção dos poemas "Sinfonia" de Olavo Bilac e "Sinfonias do Ocaso" de Cruz e Souza e desenvolva uma análise sobre a estética e a musicalidade no parnasianismo e no simbolismo.
Sinfonia
Olavo Bilac
Meu coração, na incerta adolescência, outrora,
Delirava e sorria aos raios matutinos,
Num prelúdio incolor, como o alegro da aurora,
Em sistros e clarins, em pífanos e sinos.
Meu coração, depois, pela estrada sonora
Colhia a cada passo os amores e os hinos,
E ia de beijo a beijo, em lasciva demora,
Num voluptuoso adágio em harpas e violinos.
Hoje, meu coração, num scherzo de ânsias, arde
Em flautas e oboés, na inquietação da tarde,
E entre esperanças foge e entre saudades erra...
E, heróico, estalará num final, nos clamores
Dos arcos, dos metais, das cordas, dos tambores,
Para glorificar tudo que amou na terra!
Sinfonias
do Ocaso
Cruz e Souza
"Musselinosas, como brumas diurnas,
descem do Ocaso as sombras harmoniosas,
sombras veladas e musselinosas
para as profundas solidões noturnas.
Sacrários virgens, sacrossantas urnas,
os céus resplendem de sidéreas rosas
da Lua e das Estrelas majestosas
iluminando a escuridão das furnas.
Ah! por estes sinfônicos ocasos
a terra exala aromas de áureos vasos,
incensos de turíbulos divinos.
Os plenilúricos mórbidos vaporam...
E como que no Azul plangem e choram
cítaras, harpas, bandolins e violinos."
descem do Ocaso as sombras harmoniosas,
sombras veladas e musselinosas
para as profundas solidões noturnas.
Sacrários virgens, sacrossantas urnas,
os céus resplendem de sidéreas rosas
da Lua e das Estrelas majestosas
iluminando a escuridão das furnas.
Ah! por estes sinfônicos ocasos
a terra exala aromas de áureos vasos,
incensos de turíbulos divinos.
Os plenilúricos mórbidos vaporam...
E como que no Azul plangem e choram
cítaras, harpas, bandolins e violinos."
Wednesday, November 27, 2013
MEMORIAL: LITERATURA BRASILEIRA I
"Um certo tipo de função psicológica é talvez a primeira coisa que nos ocorre
quando pensamos no papel da literatura. A produção e fruição desta se baseiam numa espécie de necessidade universal de ficção e de fantasia, que de certo é coextensiva ao homem, pois aparece invariavelmente em sua vida, como indivíduo e como
grupo, ao lado da satisfação das necessidades mais elementares. [...] Portanto, por via oral ou visual; sob formas curtas e elementares, ou sob
complexas formas extensas, a necessidade de ficção se manifesta a cada instante; aliás, ninguém pode passar um dia sem consumi-la, ainda que sob a forma de palpite na loteria, devaneio, construção ideal ou anedota. E assim se justifica o interesse
pela função dessas formas de sistematizar a fantasia, de que a literatura é uma das
modalidades mais ricas.
A fantasia quase nunca é pura. Ela se refere constantemente a alguma realidade: fenômeno natural, paisagem, sentimento, fato, desejo de explicação, costumes,
problemas humanos, etc. Eis por que surge a indagação sobre o vínculo entre fantasia e realidade, que pode servir de entrada para pensar na função da literatura." (p. 82)
CÂNDIDO, Antônio. A literatura e a formação do homem. São Paulo: Unicamp, 2002.
A partir da reflexão de Antônio Cândido sobre o papel da literatura na constituição do homem, elabore um memorial* da disciplina de Literatura Brasileira I, resgatando as leituras realizadas durante o ano e destacando o que lhe foi mais significativo.
*Memorial: gênero que visa resgatar e narrar uma trajetória.
Friday, November 22, 2013
Wednesday, October 23, 2013
LEITURA GUIADA - O RELÓGIO DE OURO - MACHADO DE ASSIS
Escute a leitura do conto O Relógio de Ouro, de Machado de
Assis e posteriormente desenvolva uma análise crítica, associando
texto/contexto, salientando as críticas sociais operadas pelo texto.
Consulte informações - PROJETO RELÓGIO DE OURO
Acesse o texto na Biblioteca do NUPILL:
Wednesday, July 31, 2013
IRACEMA: ALENCAR E BUARQUE
“[...] escreveu o que é mais poema
Que romance, e poema menos
Que um mito, melhor que Vênus.”
Manuel Bandeira sobre o romance Iracema
Analisar comparativamente o romance "Iracema", de José de Alencar, e a canção "Iracema voou", composta por Chico Buarque, considerando o contexto histórico e social em que foram escritos. Chico Buarque retoma a figura de Iracema, construída romanticamente por José de Alencar, e a apresenta sob a ótica da contemporaneidade. Analise os olhares dos dois autores sobre a personagem Iracema.
Link para acessar o romance "Iracema":
http://www.literaturabrasileira.ufsc.br/documentos/?action=download&id=27776
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Iracema Voou - Chico Buarque (1998)
Iracema voou
Para a América
Leva roupa de lã
E anda lépida
Vê um filme de quando em vez
Não domina o idioma inglês
Lava chão numa casa de chá
Tem saído ao luar
Com um mímico
Ambiciona estudar
Canto lírico
Não dá mole pra polícia
Se puder, vai ficando por lá
Tem saudade do Ceará
Mas não muita
Uns dias, afoita
Me liga a cobrar
É Iracema da América
Wednesday, June 26, 2013
IMAGENS POÉTICAS
Tanto o trecho do poema "Cão sem plumas", II. Paisagem do Capibaribe, de João Cabral de Melo Neto, quanto as Liras de "Marília de Dirceu", de Tomás Antonio Gonzaga, constroem imagens a partir de elementos da natureza, porém os poemas foram escritos em tempo e contexto diferentes, denunciando e abordando questões pertinentes. Considerando tais aspectos, elabore uma analise comparativa entre as imagens poéticas construídas por João Cabral de Melo Neto e por Tomás Antonio Gonzaga.
II. Paisagem do Capibaribe
Entre a paisagem
o rio fluía
como uma espada de líquido espesso.
Como um cão
humilde e espesso.
Entre a paisagem
(fluía)
de homens plantados na lama;
de casas de lama
plantadas em ilhas
coaguladas na lama;
paisagem de anfíbios
de lama e lama.
Como o rio
aqueles homens
são como cães sem plumas
(um cão sem plumas
é mais
que um cão saqueado;
é mais
que um cão assassinado.
Um cão sem plumas
é quando uma árvore sem voz.
É quando de um pássaro
suas raízes no ar.
É quando a alguma coisa
roem tão fundo
até o que não tem).
O rio sabia
daqueles homens sem plumas.
Sabia
de suas barbas expostas,
de seu doloroso cabelo
de camarão e estopa.
Ele sabia também
dos grandes galpões da beira dos cais
(onde tudo
é uma imensa porta
sem portas)
escancarados
aos horizontes que cheiram a gasolina.
E sabia
da magra cidade de rolha,
onde homens ossudos,
onde pontes, sobrados ossudos
(vão todos
vestidos de brim)
secam
até sua mais funda caliça.
Mas ele conhecia melhor
os homens sem pluma.
Estes
secam
ainda mais além
de sua caliça extrema;
ainda mais além
de sua palha;
mais além
da palha de seu chapéu;
mais além
até
da camisa que não têm;
muito mais além do nome
mesmo escrito na folha
do papel mais seco.
Porque é na água do rio
que eles se perdem
(lentamente
e sem dente).
Ali se perdem
(como uma agulha não se perde).
Ali se perdem
(como um relógio não se quebra).
Ali se perdem
como um espelho não se quebra.
Ali se perdem
como se perde a água derramada:
sem o dente seco
com que de repente
num homem se rompe
o fio de homem.
Na água do rio,
lentamente,
se vão perdendo
em lama; numa lama
que pouco a pouco
também não pode falar:
que pouco a pouco
ganha os gestos defuntos
da lama;
o sangue de goma,
o olho paralítico
da lama.
Na paisagem do rio
difícil é saber
onde começa o rio;
onde a lama
começa do rio;
onde a terra
começa da lama;
onde o homem,
onde a pele
começa da lama;
onde começa o homem
naquele homem.
Difícil é saber
se aquele homem
já não está
mais aquém do homem;
mais aquém do homem
ao menos capaz de roer
os ossos do ofício;
capaz de sangrar
na praça;
capaz de gritar
se a moenda lhe mastiga o braço;
capaz
de ter a vida mastigada
e não apenas
dissolvida
(naquela água macia
que amolece seus ossos
como amoleceu as pedras).
(Trecho do poema "Cão sem plumas", de João Cabral de Melo Neto)
Para conhecer mais sobre a vida e a obra do poeta recifense acesse:
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LIRA XIII
Vês, Marília, um cordeiro
De flores enramado,
Como alegre corre
A ser sacrificado?
O Povo para o Templo já concorre;
A Pira sacrossanta já se acende;
O Ministro o fere, ele bala, e morre.
Vês agora o novilho,
A quem segura o laço,
No chão as mãos especa,
Nem quer mover um passo.
Não conhece que sai de um mau terreno;
Que o forte pulso, que a seguir o arrasta,
O conduz a viver num campo ameno.
Ignora o bruto como
Lhe dispomos a sorte;
Um vai forçado à vida,
Vai outro alegre à morte:
Nós temos, minha bela, igual demência;
Não sabemos os fins, com que nos move
A sábia, oculta Mão da Providência.
De Jacó ao bom filho
Os maus matar quiseram.
De conselho muraram.
Como escravo o venderam.
José não corre a ser um servo aflito;
Vai subindo os degraus, por onde chega
A ser um quase Deus no grande Egito.
Quem sabe o Destino
Hoje, ó Bela, me prende.
Só porque nisto de outros
Mais danos me defende?
Pode ainda raiar um claro dia.
Mas quer raie, quer não, ao Céu adoro;
E beijo a santa mão, que assim me guia.
(Lira XIII, do livro "Marília de Dirceu", de Tomás Antonio Gonzaga)
Para acessar "Marília de Dirceu" clique aqui:
http://www.literaturabrasileira.ufsc.br/documentos/?action=download&id=28390
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