Sunday, November 28, 2010

Poesia concreta, visual e animada no Ciberespaço

O site de Arnaldo Antunes e Augusto de Campos mostram trabalhos poéticos com dinâmicas diferentes, que requerem uma maior mediação tecnológica, tanto na criação quanto na fruição da obra. São poemas concretos, visuais, clip-poemas e poemas animados publicados no Ciberespaço.

Nessas obras, o imbricamente de linguagens não se dá somente na relação entre verbo x tecnologia, mas também entre literário x plástico. Tentando aplicar a proposta de análise de Pietroforte, escolha o poema que mais lhe impactou e poste um comentário.

link do power point sobre Semiótica Visual (Pietroforte)


link do site de Augusto de Campos

link do site de Arnaldo Antunes

14 comments:

Ensaios e Garatujas said...

O poema que mais nos impactou foi "Psiu!" de autoria de Augusto de Campos, pois em uma forma circular, vemos uma variedade de palavras, aparentemente retiradas de jornais, contendo vários significados. Sendo que são palavras utilizadas no cotidiano, assuntos de ordem pública (bomba), segredos (psiu), política (ato 13). No centro do círculo nota-se uma boca, de onde saem todas as palavras que são "proferidas" e lidas. A "boca" representa todos os pensamentos da população brasileira que não podem ser ditas, suas preocupações com a economia, com guerras, com relações amorosas. Formato redondo pois são palavras soltas dentro um espaço fechado, que remete à época da ditadura onde não havia liberdade de expressão.
Grupo: Eloísa, Jenifer Martins, Philipe.

Stella Bousfield said...

No poema Hearthead, de Augusto de Campos, o autor identifica a arte como uma necessidade básica do ser humano. No mesmo nível da palavra "art", relaciona expressões como comer (eat), heart (coração) e head (cabeça-pensamento). Ou seja, a arte é tão importante para o indivíduo como o comer, pensar e pulsar do coração, estando presente em meio a vários momentos do seu dia-a-dia.

Stella Bousfield

Anonymous said...

O poema "O buraco no espelho" é constituído de belissímas palavras, mas traz em seus blocos um contraste entre a vida e a morte. Paradoxamente enquanto buscamos viver na íntegra estamos caminhando para a morte, não é possível separar esses dois caminhos vida/morte. A palavra espelho neste poema nos remete a ideia de morte como algo inevitavel a todos os seres vivos, por mais que lutamos não é possivel vence-la. O autor traz neste poema somente uma ideia, podendo ser compreendida pela ausência de pontos e letras maiúsculas, desta forma demosntra uma ideia continua, um sentido único sem quebra de raciocínio, a vida por uma continuídade da morte.

Thays Ribeiro Freitas, Sirlene Ap. Guilhermino, Claudinei Fernandes.

Anonymous said...

O poema "sol de maiakóvski" (1982-1993) de: Augusto de Campos é composto por círculos de cores quentes e vibrantes (do amarelo para o laranja) limitadas por um quadrado. Referente ao poema, percebe-se que a palavra tudo remete ao centro da imagem simbolizando o sempre, tudo e o eterno, representados pela imagem do sol, como sendo o farol, o brilhar e o inferno. Tudo remete ao fogo, e esse fogo remete ao sol. Tudo isso é o slogan da gente e o slogan do sol.
Dupla: Ana Paula e Priscila

Anonymous said...

O poema que escolhemos foi "Normal" de Arnaldo Antunes, onde no plano do conteúdo com a frase "Perder a fala diante do abismo é normal" nos traz a reflexão sobre o impacto diante do desconhecido e temido. No plano de expressão as palavras em outra língua representam o abismo e o silêncio diante do que não se conhece, a cor vermelha nos remete ao "stop", a parada e o retraimento perante a obscuridade (plano de fundo escuro), a palavra "normal" em destaque nos indica que o significado das frases em línguas diferentes é o mesmo que aquele descrito em português, levando-nos também a crer que o silêncio diante do abismo é igual para todas as etnias.

Alunas: Aline, Emiliana e Natalia

Ensaios e Garatujas said...

O poema "Normal" de Arnaldo Antunes trata de algo comum a qualquer um, que é o enfrentamento de adversidades. Usa a frase em cinco línguas diferentes e, como conectivo, há uma palavra comum a todas as línguas, que é justamente "normal". O recurso utilizado pelo autor procurar justamente demonstrar que adversidades são comuns a qualquer povo de qualquer lugar do mundo.

Grupo: Eloísa, Jenifer Martins, Philipe

Anonymous said...

O poema que mais chamou nossa atenção foi "Cromossomos" de Arnaldo Antunes,que faz o uso da palavra cromossomos colocada em forma de círculo para representar o ciclo vital.Todos seres humanos são constituídos de vários cromossomos.Ao lermos o poema em um primeiro momento lemos COMO SOMOS,uma vez que os cromossomos são o nosso DNA e formam nossa identidade genética.A cor vermelha na letra 'R' representa o sangue - a cor da vitalidade.Com relação as cores do fundo e das letras: o preto do fundo representa a morte,o vermelho a vida e o branco a passagem pela vida.A circularidade pode representar também a hereditariedade,da mesma forma que partimos sempre deixamos um pouco de nós.
Acadêmicas: Fernanda, Sarah e Vanessa.

Nana Souza said...

Alunas: Natali, Jennifer R., Paula Rosa e Paula Fernandes.

O poema que nos chamou a atenção foi Cabeçacoração (1980), de Augusto de Campos.
Com uma forma intrigantemente curiosa, o autor consegue nos mostrar o intenso significado de duas simples frases, mas que, de certa forma, faz com que nós analisemos de forma sentimental/racional, levando somente em consideração a sequencia de leitura do mesmo.
Lendo de fora para dentro, mostra um olhar mais voltado à razão, que é representada pela cor amarela.
Já ao ler de dentro para fora, podemos notar um olhar mais sentimental, representado, por sua vez, pela cor vermelha.
A frase que mais nos chamou a atenção foi "Meu coração não cabe em minha cabeça", sendo mostrado também pela ação (pulsação) da imagem e a cor vermelha no fundo (coração) predominando sobre a cor amarela (razão).

Paulo Ricardo said...

Augusto de Campos, no poema visual "O Pulsar", nos coloca diante de um desafio, um enigma. É preciso decifrar o código por trás dos símbolos misturados com as letras, para a leitura da mensagem escrita. Além disso, o poema possui um "movimento" na estrutura. Quando lemos o poema de outra perspectiva (diferente da estrutura convencional de leitura e escrita), perebemos com mais intensidade os espaços vazios contrastando com os preenchidos e a suposta "pulsação" das formas presentes.

Jean de Borba said...

O quase do quasar...

Eu quase me confundi com o quase do quasar, ele quase me fez compreender a constelação estrelar. O preto quase veio me assustar, mas o branco das estrelas me fez lembrar, o quanto é bom pensar no amar debaixo do sistema solar. O amor humano que quando a estrela vem reinar, brilha no alto o amor do quase quasar.

Rio: o ir - O ir pra dentro do rio nos faz ficar cercado de àgua, e quando saímos(irmos) vamos de forma soltas, como o "R" de ir ou esse mesmo de Rio
no azul do mar e branco das ondas.

Suéllen Reinert said...

Arnaldo Antunes publicou o poema "Desenvolve" - 1994.
Engraçado o poder que esse poema tem, pois entre tantos outros foi o único que realmente me deixou intrigada. Tentei ler os restantes, mas não tive paciência, lia-os tentando entender o que este queria dizer. Na verdade ainda não compreendi por completo, apenas vi o desenho de uma cabeça em branco (vazia quem sabe) dentro de um quadro negro. Do interior dela a palavra 'desenvolve' fazia um movimento de dentro para fora, amentando gradativamente o trecho 'volve. Percebi então que o vazado da segunda letra "v" fazia o formato da cabeça inicial e que o contorno preto dava a ideia do quadro negro. Otexto se desenvolve, porém dá a impressão de que continua restrito naquela linha preto, pois o "v" apesar de ser uma letra aberta, no poema ela permaneceu fechada.

Suéllen Reinert.

Anonymous said...

Acadêmicos: Amanda Corrêa da Silva
Cleyton Domingos Correia

Poema escolhido: coraçãocabeça (1980)

Ao analisar o poema-animação, "coraçãocabeça" de Augusto de Campos percebe-se como a tendência das linguagens imbricadas geram inúmeras possibilidades de leitura. A relação coração/cabeça estabelecida pelo autor nos remete ao famígerado contraponto emoção/razão. As palavras estão todas entrelaçadas, assim como nosso corpo; vivemos em um só fluxo sem poder determinar o que iremos sentir. Os pronomes meu/minha encontram-se no âmago do poema, como uma espécie de válvula propulsora que faz todo aquele mecanismo funcionar. Assim como o sangue que provém a vida, o "eu" faz com que possamos seguir adiante. Os parênteses uns dentro dos outros entrelaçam o poema que movimenta-se como o pulsar do coração.

Jessica said...

Invento (2002), do livro "Palavra desordem" de Arnaldo Antunes.
IN-VENTO | VENTO DENTRO
Interessante como o autor faz uso de prefixos e extrai substantivos de uma palavra comum de nossa língua materna. Permite usar um significado que não se encontra na nossa língua (in = dentro; língua inglesa). É possível, em uma análise mais exata, fazer uma comparação entre o vocábulo "invento" e a frase "vento dentro". Entrando no sentido poético, o "vento dentro" parece ser o "ar da inspiração", o que é imprescindível na criação de algo necessário para o cotidiano. As cores também contribuem para o significado: o laranja que tem um sentido de energia, o que é preciso para o invento funcionar, e também o vento que é capaz de gerar energia, força. O formato é significativo: a palavra "vento" é destaque, ou "a inspiração". Trata-se de um poema que poderia ser impresso, mas sem dúvida é mais valorizado no cyberespaço.

Anonymous said...

Débora Ramos e Carina Carvalho

O poema que mais nos causou impacto foi "Tudo pode", publicado inicialmente no livro PALAVRA DESORDEM, ed. Iluminuras (2002), de Arnaldo Antunes.
O autor trabalha com duas cores fortes, o vermelho que representa o poder, a sedução, é uma cor "quente", e também o azul marinho, que significa tranquilidade, segurança. As duas cores se relacionam com a frase "Tudo pode ser pensado", que está escrita em português e inglês, sendo que a posição em que estão postas mostram uma continuação e ao mesmo tempo uma corta a outra.
Creio que todas essas relações retratam o forte impacto que o questionamento sobre a vida pode causar, o vermelho instiga a busca por respostas satisfatórias, enquanto o azul traz a segurança, a certeza que tudo pode ser pensado, e não importa como será essa busca, o que se põe em questão é encontrar a verdade, e nessa trajetória há vários pontos que serão interligados e outros que entrarão em contradição, mas todos contribuirão para uma melhor visão de mundo.
Esse texto é maravilhoso e possibilita inúmeras interpretações, e com certeza o melhor aproveitamento dele é no espaço virtual.