Friday, March 21, 2014

Sinfonias de Olavo Bilac e Cruz e Souza

Relacione a Sinfonia de Dvorák com a construção dos poemas "Sinfonia" de Olavo Bilac e "Sinfonias do Ocaso" de Cruz e Souza e desenvolva uma análise sobre a estética e a musicalidade no parnasianismo e no simbolismo. 
                                    

Sinfonia
                                                                           Olavo Bilac

Meu coração, na incerta adolescência, outrora,
Delirava e sorria aos raios matutinos,
Num prelúdio incolor, como o alegro da aurora,
Em sistros e clarins, em pífanos e sinos.

Meu coração, depois, pela estrada sonora
Colhia a cada passo os amores e os hinos,
E ia de beijo a beijo, em lasciva demora,
Num voluptuoso adágio em harpas e violinos.

Hoje, meu coração, num scherzo de ânsias, arde
Em flautas e oboés, na inquietação da tarde,
E entre esperanças foge e entre saudades erra...

E, heróico, estalará num final, nos clamores
Dos arcos, dos metais, das cordas, dos tambores,
Para glorificar tudo que amou na terra!


Sinfonias do Ocaso      
                                                                  Cruz e Souza

"Musselinosas, como brumas diurnas,
descem do Ocaso as sombras harmoniosas,
sombras veladas e musselinosas
para as profundas solidões noturnas.

Sacrários virgens, sacrossantas urnas,
os céus resplendem de sidéreas rosas
da Lua e das Estrelas majestosas
iluminando a escuridão das furnas.

Ah! por estes sinfônicos ocasos
a terra exala aromas de áureos vasos,
incensos de turíbulos divinos.

Os plenilúricos mórbidos vaporam...
E como que no Azul plangem e choram
cítaras, harpas, bandolins e violinos."

9 comments:

Anonymous said...

Elaine Junqueira - 2º ano de Letras
Olavo Bilac “Sinfonia” e Cruz e Sousa “Sinfonias do Ocaso”

Olavo Bilac é um autor parnasiano, enquanto Cruz e Sousa é simbolista.
Ambos descrevem seus conceitos sobre sinfonia.Bilac acredita que a sinfonia tem ligação com a vida, mais especificamente da adolescência, como na primeira estrofe:
“Meu coração, na incerta adolescência, outrora,
Delirava e sorria aos raios matutinos,
Num prelúdio incolor, como o alegro da aurora,
Em sistros e clarins, em pífanos e sinos.”
No final da primeira estrofe é perceptível a harmonia, os versos transmitem sons de instrumentos musicais, que podem representar a paz.
Na segunda estrofe que trata da vida adulta, a sensação transmitida é a de saudade e a ansiedade de viver tudo de novo, mas continua glorificando a vida. Sensações que aparecem na terceira estrofe:
“Hoje, meu coração, num scherzo de ânsias, arde
Em flautas e oboés na inquietação da tarde,
E entre esperanças foge e entre saudades erra...”
No poema de Cruz e Sousa, “Sinfonias do Ocaso”,a sinfonia surge através da natureza, e também de instrumentos musicais.
Vejamos a segunda estrofe::
“Sacrários virgens, sacrossantas urnas,
Os céus resplendem de sidéreas rosas,
Da Lua e das Estrelas majestosas
Iluminando a escuridão das furnas”
A sinfonia do ocaso (passagem do dia para à noite) mostra a harmonia e o funcionamento mágico do planeta, tanto o dia quanto à noite trazem alegria:
“Os plenilúnios mórbidos vaporam...
E como que no Azul plangem e choram
Cítaras, harpas, bandolins, violinos...” (última estrofe)
E retornando a primeira:
“Musselinosas como brumas diurnas
Descem do ocaso as sombras harmoniosas,
Sombras veladas e musselinosas
Para as profundezas solidões noturnas”

Para Bilac, sinfonia é a vida, por isso o título está no singular, pois a vida é uma só e não volta.Já Cruz e Sousa utiliza no título, sinfonia no plural, pois a passagem mostrada no poema acontece todos os dias, é cíclica.

Anonymous said...

Ana Carolina e Flavia Cristina - 2º ano de Letras

O poema de Olavo Bilac , “Sinfonia” têm bastante apelo sensorial com combinação de cores sons e imagens. Essa característica descritiva e plástica é típica do parnasianismo, sendo que por muitas vezes a poesia de Bilac soa superficial. O poema expressa uma lírica amorosa e sensual, como no verso: “Hoje, meu coração, num scherzo de ânsias, arde /Em flautas e oboés, na inquietação da tarde, /E entre esperanças foge e entre saudades erra.”
O Simbolismo define-se pelo anti-intelectualismo, uma vez que irá propor uma poesia pura, não racionalizada, que use imagens e não conceitos, caminhando na contramão da poética tradicional, justificando, desse modo, o seu caráter hermético e misterioso. Podemos perceber que Cruz e Sousa em “Sinfonias do ocaso” explora o recurso da sinestesia dando enfoque principal ao olfato ao citar: “Os céus resplendem de sidéreas rosas”, e à audição em: “E como que no Azul plangem e choram cítaras, harpas, bandolins, violinos...”.

Anonymous said...

Ananda Abel, Edwin de Paula, Júlia Lopes, Thais Calazans e Tuane Ramos 2º ano de Letras

No poema “Sinfonias do Ocaso” de Cruz e Sousa é difuso na expressão, pois o poeta simbolista escreve para o leitor despertar os sentidos. No poema, o poeta, usa o por do sol e o amanhecer para expressar sentimentos relacionados a vida, independente do estagio que você se encontra, o poema lhe tocará de alguma forma. Na parte “Ah! por estes sinfônicos ocasos / a terra exala aromas de áureos vasos,/ incensos de turíbulos divinos.” O poeta quer que você sinta o que está tentando dizer.
Em “Sinfonia” de Olavo Bilac, fez-se analogia aos seus sentimentos que mudam através de sua vida, como os elementos usuais de uma sinfonia. Olavo fala de sentimentos calmos como os clarins, ou sentimentos mais lentos, menores como harpas e violinos, sentimentos que podem começar pequenos mas se tornarem grandes de acordo com a nota que é tocado. Também fala de momentos de inquietação que sofre, e os compara ao som das flautas, como em “Em flautas e oboés na inquietação da tarde”

Anonymous said...

Lutrícia Monti – 2º ano de Letras

Em "Sinfonia" de Olavo Bilac podemos notar uma valorização estética como a linguagem rebuscada e formal. Os recursos estilísticos mais empregados são: a repetição de palavras (como 'meu coração' nas três primeiras estrofes), as metáforas e comparações e termos musicais como instrumentos ou noções técnicas de ritmo.
A primeira estrofe delimita a introdução do que seria a sinfonia, começando levemente porém rapidamente; contendo então seu período da adolescência, um período de alegria, delírio, marcado por sistros, clarins, pífanos e sinos.
Na segunda estrofe podemos notar que há um andamento lento marcado por harpas e violinos. Essa fase demonstra sua juventude, onde foram colhidos amores e glórias.
Na terceira estrofe, ele fala sobre o presente, "hoje, meu coração, num scherzo de ânsias, arde", esse é o momento em que ele realmente está inquieto num misto entre esperança/saudade (futuro e passado). Essa estrofe é regida pelas flautas e oboés.
Na quarta e última, ele se encontra num tom mais heróico, em que ele está glorioso por tudo que amou nesta terra. Por isto existe a presença de arcos, metais, cordas e tambores. Chegando assim, no término da Sinfonia.

SINFONIA
Meu coração, na incerta adolescência, outrora,
Delirava e sorria aos raios matutinos,
Num prelúdio incolor, como o alegro da aurora,
Em sistros e clarins, em pífanos e sinos.

Meu coração, depois, pela estrada sonora
Colhia a cada passo os amores e os hinos,
E ia de beijo a beijo, em lasciva demora,
Num voluptuoso adágio em harpas e violinos.

Hoje, meu coração, num scherzo de ânsias, arde
Em flautas e oboés, na inquietação da tarde,
E entre esperanças foge e entre saudades erra...

E, heróico, estalará num final, nos clamores
Dos arcos, dos metais, das cordas, dos tambores,
Para glorificar tudo que amou na terra!


© OLAVO BILAC
In Tarde, 1919

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Na primeira estrofe de “Sinfoinias do Ocaso” podemos observar elementos mórbidos como "brumas diurnas", "sombras harmoniosas" e "profundas solidões noturnas". Podemos notar uma ideia do anoitecer, onde o autor compara a chegada da noite com as brumas diurnas. E com a chegada da noite, nota-se a chegada das solidões noturnas.
Na segunda estrofe, ele fala sobre a Lua e as Estrelas que iluminam a noite, ou seja, a escuridão.
Na terceira estrofe, podemos notar que a mudança do ciclo da natureza entre o dia e a noite resulta em aromas da terra.
No quarta e última estrofe, a noite se vai ao som de cítaras, harpas, bandolins e violinos.
Também podemos notar a musicalidade e subjetividade ao decorrer da Sinfonia.
Cruz e Sousa - Sinfonias do Ocaso


Musselinosas como brumas diurnas
descem do ocaso as sombras harmoniosas,
sombras veladas e musselinosas
para as profundas solidões noturnas.
Sacrários virgens, sacrossantas urnas,
os céus resplendem de sidéreas rosas,
da Lua e das Estrelas majestosas
iluminando a escuridão das furnas.
Ah! por estes sinfônicos ocasos
a terra exala aromas de áureos vasos,
incensos de turíbulos divinos.
Os plenilúnios mórbidos vaporam ...
E como que no Azul plangem e choram
cítaras, harpas, bandolins, violinos...

Anonymous said...

Ana Claudia, Thaynara e Suelen – 2º ano de Letras

Olavo Bilac em seu poema “Sinfonia” destaca as fases do amor na vida através dos instrumentos. Olavo Bilac apresenta suas sensações, como se o amor fosse uma orquestra em sinfonia. No inicio do poema, o autor declara trechos de sua adolescência, e utiliza expressões tais como: “Num prelúdio incolor, como o alegro da aurora, Em sistros e clarins, em pífanos e sinos.” Estas estrofes relatam partes de suas vivências no amor, ainda jovem, destacando a sutileza e leveza do primeiro amor. Em um segundo momento, Bilac expressa: “E ia de beijo a beijo, em lasciva demora, Num voluptuoso adágio em harpas e violinos.” O poeta apresenta o amor através de uma composição instrumental harmoniosa. A evolução do poema é transcrita nas próxima estrofes: “Hoje, meu coração, num scherzo de ânsias, arde, Em flautas e oboés, na inquietação da tarde, E entre esperanças foge e entre saudades erra...”Olavo Bilac transcreve a evolução do sentimento, agora retratado pela inquietação, saudade e esperança. Esta oscilação também é encontrada no fechamento do poema “Dos arcos, dos metais, das cordas, dos tambores, Para glorificar tudo que amou na terra!”, sendo a sensação de saudade, na melodia dos instrumentos, a sensação que ecoa no autor. Toda a composição de Olavo Bilac, é regrada por instrumentos e a composição construída pelo ritmo do tema amor.
Cruz e Souza, em “Sinfonias do Ocaso”, representa a subjetividade da temática - amor. As sensações descritas pelo poeta, provocam oscilações como “Sombras veladas e musselinosas / Para as profundas solidões noturnas.” Na estrofes encontramos o mistério do amor, com todo o universo composto pelo autor para citar o tema: “Ah! por estes sinfônicos ocasos / A terra exala aromas de áureos vasos, Incensos de turíbulos divinos.” Cruz e Souza , expressa desde a solidão até o êxtase do amor em sua composição: “Os plenilúnios mórbidos vaporam... E como que no Azul plangem e choram / Cítaras, harpas, bandolins, violinos...”
Olavo Bilac e Cruz e Souza, destacam em seus poemas as sensações do amor, envolvidas pelo embalo de instrumentos musicais, que encantam ainda mais a essência de seus poemas.

Anonymous said...

Yara Elberhardt, Sianny Susa Garcete Ferraz e Carolina Cristina Romano – 2º ano de Letras

Olavo Bilac poeta da geração parnasiana, pregava o rigor da forma escrita, respeito às regras gramaticais, vocabulário rico e erudito, rimas ricas e preferências por formas fixas - como podemos notar (explicitamente) em seu poema ''Sinfonia''. No entanto, a obra de Olavo Bilac parece conter ainda um lado romântico, com muitos elementos subjetivos, sensoriais. Aparece como uma obra de caráter tipicamente brasileiro. O autor liga a vida às sinfonias, à música, gerando paz de espírito, inclusive, o poema traz uma certa tranquilidade à quem lê, uma calma harmoniosa.

Por sua vez, Cruz e Sousa entrava em um grupo com uma visão extremamente pessimista do mundo - os simbolistas. Em seu poema ''Sinfonias do Ocaso'', nota-se uma procura no mais profundo “eu” de uma resposta para todas as questões sem respostas da vida, dos problemas, de um psicológico abalado emocionalmente. Essa obra de Cruz e Sousa ilustra bem a preferência pelo vago, pelo ocaso ele escreve com imprecisão, divaga, O poema faz o leitor refletir e a leitura gera sensações - como na sinfonia de Dvořák.

Anonymous said...

Daniela Simon - 2° Ano - Letras


Ambos os autores retratam a harmonia de todos seus sentimentos e através dela, é gerada a sinfonia.
Para Olavo Billac, Autor de "Sinfonia", suas emoções ao extremo através de suas recordações, retratam o amor e a saudade, principalmente de sua juventude.
Para Cruz e Souza, Autor de "Sinfonias do Acaso", retrata os aspectos naturais, que são comparados a instrumentos musicais em perfeita harmonia. Essas sensações harmônicas é o que causam a sinfonia.

Anonymous said...

Hellen Specht e Tuane Ramos.
2º LETRAS.

Poema" Sinfonia de Olavo Bilac e "Sinfonias do acaso" de Cruz e Sousa"

Olavo Bilac em seu poema “Sinfonia”, trata as suas emoções e sensações através de instrumentos, em cada estrofe o poeta sempre finaliza com alguma combinação de instrumentos como vemos neste verso “ Hoje meu coração, num scherzo de ânsias, arde, Em flautas e oboés, na inquietação da tarde, E entre esperanças foge e entre saudades erra”. O poema também segue uma sequência bem como uma sinfonia vai se apresentando. Olavo Bilac inicia com sua “adolescência” e vai dando uma sequência, porque na segunda estrofe ele cita a palavra depois que se dá por entendido “depois” da adolescência, já na terceira estrofe ele diz “hoje” e na última estrofe “num final” e finaliza com o verso” tudo o que amou na terra” citando o futuro. O valor estético identifica-se como um poema parnasiano.
Já no poema “Sinfonias do acaso” de Cruz de Souza, apresenta uma poesia mais voltada para o irracional, que foge ao mundo proposto pelo racionalismo burguês, que se caracteriza pelo mergulho no universo de sensações, de associações de ideias, sem preocupações com significados definidos.

Paola Sayurosis & Leonardo da Roça said...



Os escritores brasileiros do Parnasianismo, dentre eles Olavo Bilac, diferentemente dos parnasianos europeus, não abandonaram parte do subjetivismo encontrado nas gerações românticas e adotaram o pessimismo e a sensualidade na construção de suas criações. Percebe-se essa peculiaridade no poema "Sinfonia" de Olavo Bilac, visto que o autor utiliza a imagem da sinfonia e dos elementos que a constituem - os instrumentos musicais - a fim de metaforizar fases de sua vida. Dessa maneira, o poeta cria uma atmosfera sinestésica na qual identificamos sua emoção por meio da lembrança sonora, o que acontece no fim de todas as estrofes; por exemplo, a adolescência é representada pelos sons do sistros, clarins, pífanos e sinos, os quais possuem tons mais agudos e estridentes que podem ser relacionados à vivacidade da juventude; na segunda estrofe, os instrumentos são harpas e violinos cujos sons e formas remetem-nos à sensualidade, portanto, aos momentos de paixões avassaladoras e amores turbulentos e aos estrofes finais os sentimentos de pessimismo e saudosismo fazem-se presentes, pois o eu-lírico encontra-se perturbado por esperanças, remorsos e arrependimentos na contradição de glorificar a vida por ter vivido intensamente.

Cruz e Souza foi um dos maiores expoentes do simbolismo, escola literária movida por ideias subjetivas, individualismo e misticismo, o subjetivismo destaca-se nas obras simbolistas devido ao interesse pelas coisas particulares e desvalorização dos atributos da realidade.
O poeta de “Sinfonias do Ocaso” descreve o cenário de um pôr do sol, em que sombras e as nuances de cores no céu anunciam o crepúsculo, ou seja, uma paisagem onírica que pode representar o momento emocionalmente turbulento pelo qual passa o eu-lírico. Sinfonias, portanto, metaforizaria os sons desse ambiente criado pelo autor, que de tão triste e sensibilizado faz com que os instrumentos chorem.