Friday, May 19, 2017

      A sátira social de Gregório de Matos




Resultado de imagemGregório de Matos (1623 - 1696), baiano, formado em Coimbra, Portugal, escreve sobre a Bahia trazendo à luz o sistema político corroendo as aparências por ela dadas. Alerta o povo para uma verdadeira visão do que ocorre no clero, nos governos e no sistema comercial também.

MOMENTO HISTÓRICO
O século XVII europeu constitui época conturbada devido a uma forte crise espiritual: de um lado, o racionalismo (Descartes, Newton, Leibnitz e Pascal) e de outro, a Contrarreforma, concretizado pela Inquisição e pelo aparato de dominação ideológico-religioso, utilizado nas Colônias pela Península Ibérica. Daí o conflito entre o absolutismo contra reformista dos domínios da Casa da Áustria e o modus vivendi reformista e burguês característico da República das Províncias Unidas dos Países Baixos. A ambivalência seiscentista estruturou-se em dois polos: um demarcado pela submissão ao autoritarismo da fé e do poder político e o outro, pelos precursores ensaios de uma interpretação mecanicista e científica cartesiana de um Deus __ não mais transcendência voluntarista, mas, apenas, garantia do equilíbrio universal de imutáveis leis científicas. Em Portugal, a desintegração da União Ibérica (1580 - 1640), sob a égide da restauração da Dinastia dos Bragança, com D. João IV (1640 - 1656), desencadeia o fortalecimento da burguesia urbana em função do comércio de produtos brasileiros. O dinheiro burguês e as alianças diplomáticas e militares com a Holanda, a Inglaterra e a França sustentaram a guerra da independência frente à Espanha expandindo uma nova mentalidade comprometida com  fatores de ordem extra religiosa e  afastamento da influência castelhana  que vão caracterizar os rumos da cultura portuguesa, na época e a emergência de uma visão de mundo que promoveu a multiplicação dos folhetos polêmicos e satíricos, antes e depois da Restauração, e o aparecimento dos jornais mensais como, por exemplo, o Mercúrio Português (1663 - 1667).No entanto, apesar da “maré” renovadora, as ordens religiosas, especialmente a Companhia de Jesus e a Inquisição, vão manter a condução da vida sociocultural e dos negócios do Estado. A Universidade de Coimbra até a segunda metade do séc. XVII, reproduziu ensino eminentemente escolástico e formalista, inteiramente divorciado dos avanços científicos e filosóficos, marcantes na Europa. No Brasil, até 1654 (assinatura pelas autoridades holandesas da sua rendição, a Capitulação da Campina do Taborda), os efeitos da União Ibérica fazem-se sentir pela constante presença invasora de estrangeiros, hostis aos interesses da dominação social espanhola. A disputa hispano-holandesa, agravada pela intervenção da França e da Inglaterra, visa, sobretudo, à queda do monopólio comercial luso-espanhol. Durante o século XVII, o expansionismo holandês, financiado e dirigido pela Companhia das Índias Ocidentais, sobressai-se não só pela quantidade das arremetidas militares, como também pela longevidade, da dominação conseguida. Além da ocupação de Pernambuco (1630 - 1654), os holandeses, desde 1624-25, realizam sucessivas investidas contra Salvador, ocasionando constantes perturbações na vida socioeconômica da cidade, tanto pelo constante clima de tensão e violência, quanto pela desorganização dos meios de produção, resultante da destruição de inúmeros engenhos de cana e da insegurança dos transportes e do comércio, por via marítima. A partir da restauração portuguesa, a administração colonial passa a ser controlada pelo Conselho Ultramarino (1642) - destinado a liberar sobre “todas as matérias e negócios de qualquer qualidade que forem tocando aos ditos Estados da Índia, Brasil” __ como também pela Companhia Geral do Comércio do Estado do Brasil (1649), ambas as medidas da iniciativa de D. João IV. No final do século XVII, passam a ocorrer, no Brasil, vários levantes contra o estado português. São os chamados “movimentos nativistas” que, embora não vissem a um projeto de separação política de Portugal, propõem reformas setoriais no sistema colonial. A revolta de Beckman (1684-85), foi uma das conspirações seiscentistas que confirmaram o caráter regional destes distúrbios e sua principal motivação: o conflito entre produtores (senhores de engenho) e comerciantes (burguesia mercantil) em torno das práticas do monopólio comercial que possibilita a seus agentes amplos privilégios no contexto da dominação portuguesa, mescla, no convívio dissonante entre a o colonizador, os negros/africanos, povos indígenas.

 Resultado de imagem para colégio do Salvador da Bahia, fundado pelo padre Manoel da Nóbrega, em 1553

Collegio do Salvador da Bahia, fundado pelo padre Manoel da Nóbrega, em 1553

Triste Bahia

Triste Bahia! Ó quão dessemelhante
Estás e estou do nosso antigo estado!
Pobre te vejo a ti, tu a mi empenhado,


Rica te vi eu já, tu a mi abundante.
A ti trocou-te a máquina mercante,
Que em tua larga barra tem entrado,


A mim foi-me trocando, e tem trocado,
Tanto negócio e tanto negociante.
Deste em dar tanto açúcar excelente
Pelas drogas inúteis, que abelhuda


Simples aceitas do sagaz Brichote.
Oh se quisera Deus que de repente
Um dia amanheceras tão sisuda
Que fora de algodão o teu capote!
                                                      

Descreve o que era naquele tempo a cidade da Bahia



Gregório de Matos

BOSI, Alfredo.História concisa da Literatura Brasileira.São Paulo: Editora Cultrix, 1994.



Pergunta-se:  de que forma nos poemas Triste Bahia e Descreve o que era naquele tempo a cidade da Bahia, Gregório de Matos estrutura os jogos sonoros, as rimas burlescas, as antíteses como veículo de sátira, sons imitativos, metáforas, hipérbatos e outras modalidades conceptistas e cultistas próprias da escrita barroca.

20 comments:

Tâmili dos Anjos Gonçalves said...

Alunos: Guilherme, Tâmili dos Anjos
1° Ano Letras

Gregório, usa dos artifícios classistas barrocos para, escrever, como protesto, diferente dos escritores da época, que se concentravam em assuntos mais variados.
Gregório nos apresenta, uma visão negativa sobre a economia colonial, mostrando a nos que toda a riqueza artística e arquitetônica da Bahia não eram nada se pararmos para pensar de que aquilo era uma cortina acobertando crimes de Portugal.
Ele usa de rimas, hipérboles e outros elementos sonoros e estilísticos para aumentar a força da crítica para quem estava lendo, já que o povo letrado era a nobreza e o próprio povo português.

Danilo Machado de Souza said...

Alunos: Danilo e Paulo

Gregório de Matos faz uma crítica ao governo usando uma linguagem culta e mascarada. Suas ideias exprimem sua contradição a política da época e para fazer sua mensagem chegar ao povo sem ser percebida por aqueles que estavam a frente do governo. As frases são construídas com um rigor, no entanto, de forma a desviar a atenção de quem se quer atingir, da mesma maneira que é lógica para o entendimento daquele em que a mensagem deve chegar. O jogo de ideias é muito utilizado nos dois poemas, uma vez que o trocadilho de palavras omite a transparência do verdadeiro significado.

Anonymous said...

Alunos: Felipe Bosco, Isabela Giacomini, Lucas Tacla, Theodora Kalbusch

A partir da análise dos poemas “Triste Bahia” e “Descreve o que era naquele tempo a cidade da Bahia”, observa-se que no primeiro as rimas aparecem de forma livre e no segundo vemos um soneto com rimas intercaladas (ABBA). Nota-se, também, a presença de antíteses em ambos os textos, como evidenciado pelas palavras “rica” e “pobre” e a aparição do “eu” e do “nós” no primeiro texto. No poema “Triste Bahia” há a presença de sons imitativos (onomatopeias), como o uso de “ó” no primeiro verso e “oh” no décimo segundo verso.
Já a grande metáfora do primeiro texto é a comparação entre uma Bahia antiga com aquela Bahia mercantil que se tornou pelo avanço do comércio. No segundo, é que as pessoas não conseguem governar a si próprias e querem governar uma pátria. A presença de hipérbatos também acontece, quando o autor inverte a ordem de sujeito, verbo e complemento (SVC) a fim de estruturar melhor o poema.
Conclui-se que Gregório de Matos pretendia denunciar o falho governo baiano daquela época, utilizando de ironia, jogo de palavras, característico do cultismo, bem como uma linguagem rebuscada. Vale ressaltar também que seu pensamento foi impulsionado pelos movimentos nativistas e separatistas que ocorriam no Brasil em função do modelo político vigente, a monarquia.

Djulian Dias said...

Nomes: Djulian Dias e Haiany da Silva Felisberto


Nos textos, Gregório de Matos usava o jogo de comparação. Podemos observar no primeiro texto, que ele questiona Bahia, comparando-a como ela era antigamente. Usa a sátira para alegar a pobreza que percebeu ali, e como isso poderia também prejudicar o povo. No segundo texto, Gregório também usa a metáfora para dizer que não entendia como Bahia queria adquirir o poder, sendo que não podiam controlar seu próprio espaço. Em continuação desse texto, podemos perceber a sua crítica sobre a população que tinha como única importância “olhar” a vida alheia, sem a preocupação das consequências daqueles que eram castigados em praça.
Mas Gregório escrevia seus textos de forma cautelosa com duplo sentido, que continha, como apresentado a cima, a ironia, o deboche e a crítica. Também é visível em algumas partes do texto a utilização de rimas.

Fernanda said...

Alunos: Fernanda de Arruda Sotano, Lucas Bartzik e Leandro Moreira.
No poema/música “Triste Bahia” podemos notar a presença de rimas, musicalidade. O contexto enaltece a questão da colonização e exploração portuguesa sobre a Bahia, com o intuito de influenciar sua cultura, que já era muito rica e característica, deixando a “triste” como diz o nome do poema/música e sem sua marca original e também de explorar seus bens e especiarias.
O poema “Descreve o que era naquele tempo a cidade da Bahia” de certa forma tem uma semelhança, de contexto e crítica, com o texto comentado acima, também implica uma questão forte de jogos sonoros, tendo assim musicalidade. Porém, esse texto também faz crítica ao próprio governo, com relação ao que o povo sofre com a situação governamental da Bahia.

Anonymous said...

Em ambos os poemas, o eu lírico mostra uma forma de descontentamento com a sociedade baiana, assim usando um vocabulário de difícil compreensão e que está sutilmente agressivo. No primeiro poema podemos notar que Gregório de Matos foge um pouco das características do Barroco pois utiliza muito dos palavrões (onde foi conhecido como “Boca do Inferno”), assim no final do poema ele declara que possui muito esperança da sua própria Bahia se ela tivesse toda sua riqueza novamente.
No segundo poema podemos analisar que ele usar o ato da sátira novamente, mostrando que o poder não estava sendo exercido de boa forma na mão de maus políticos, assim causando miséria a população mais necessitada.

Alunos: Lucas Wronski Lemes e Rafaela Esser
1º Ano - Letras

Vanderc Junior said...

Alunos: Mateus Xavier e Vander Claudio

Gregório de Matos por meio de suas obras "Triste Bahia" e "Descreve o que era naquele tempo a cidade da Bahia" critica o estado econômico e social em que sua terra está imersa. O uso satírico de palavras, presente nos versos "Pelas drogas inúteis, que abelhuda/ Simples aceitas do sagaz Brichote.", demonstra discordar do mercado estabelecido com Portugal, o qual representa um estado em que desfavorece o produto e a produção baiana. O estado português é criticado por meio dos versos: "A cada canto um grande conselheiro, /que nos quer governar cabana, e vinha, / não sabem governar sua cozinha, /e podem governar o mundo inteiro.", refletindo na falta de estabilidade econômica e o empobrecimento de massas.
O autor utiliza do hipérbato no verso: "Que em tua larga barra tem entrado" para ironizar o farto litoral que possuíamos e o seu uso completo pelos estrangeiros. O brasileiro, aquele que produzia, de nada aproveitava; o mercado era apontado para o exterior. Desta forma Gregório de Matos aponta: de que adiantaria o a larga barra se nada aproveitássemos?
Jogos sonoros são utilizados em ambos os poemas, caracterizados pelas rimas que associam termos essenciais da crítica. Em "Triste Bahia", há a rima entre as palavras "dessemelhante/abundante/mercante/negociante", onde o autor utiliza dos recursos sonoros para a crítica quanto ao enriquecimento de outra nação às custas da produção brasileira. Em "Descreve o que era naquele tempo a cidade da Bahia", na terceira estrofe é formulado através do jogo sonoro o logro em que a sociedade baiana sofreu: Muitos mulatos desavergonhados/ trazidos pelos pés os homens nobres,/ posta nas palmas toda a picardia.".
As metáforas são observadas pelo decorrer de ambas as obras, evidenciadas nas duas primeiras estrofes de "Descreve o que era naquele tempo a cidade da Bahia", no qual o autor utiliza da figura de um conselheiro e um olheiro para criticar a posição de Portugal e dos negociantes baianos.

Anonymous said...

Alunas: Kiane Thayna e Juliana Medeiros
Curso: Letras
1ºAno.
A partir da análise dos dois poemas, percebemos que ele expressa sua opinião de uma forma crítica à sociedade baiana, nos seus mais variados estratos, e às contradições da realidade local. Ele usa as metáforas e rimas burlescas de uma forma insultuosa e crua, literal, a política-cultural e a corrupção vigente na cidade naquela época.

V. Felski said...

Beatriz Vianna
Fernanda Zermiani
Vanessa Felski

As sátiras de Gregório de Matos ridicularizavam padres, juízes, governantes e quem quer que se tornasse adversário do poeta. No poema Triste Bahia, Matos afirma a mudança negativa que ele percebe na cidade: o poder político não era exercido de forma apropriada e coerente, ocasionando a miséria da população mais necessitada. Como no trecho “pobre te vejo a ti, tu a mi empenhado, Rica te vi eu já, tu a mi abundante. A ti trocou-te a máquina mercante”. Os recursos naturais e a mão de obra da Colônia eram todos explorados pela Metrópole (essa questão, aliás, está presente em ambos os poemas). Gregório utiliza a dicotomia eu-estado para ilustrar essa ideia.

Já no poema Descreve o que era naquele tempo a cidade da Bahia, o poeta critica a imoralidade social e econômica presente na cidade. Enquanto os trabalhadores honestos mal conseguiam se sustentar, os comerciantes, retratados como ladrões, detinham o poder político e econômico. A ascensão de uma burguesia oportunista e a decadência da Bahia estão representados no texto.

Jennifer said...

Estudantes: Paula Figur, Jennifer Bretzke Meier
1ºano – Letras
Análise dos poemas Triste Bahia e Descreve naquele tempo a cidade de Bahia
Poema Triste Bahia:
Os efeitos sonoros são produzidos pela rima entre os versos, ordem que varia de acordo com a estrofe, é marcado pela presença de rimas burlescas e palavras zombeteiras como abelhudo, capote, sisuda. O uso da metáfora se faz presente de acordo com a estética Barroca, é mais enxuto e grotesco, focado na crítica à desvalorização da Bahia e seu descontentamento em relação a oferta ser maior do que as riquezas recebidas.
Poema Descreve naquele tempo a cidade de Bahia:
As rimas ocorrem no primeiro e último verso da estrofe, e ocasionalmente entre os versos centrais. Ele descreve a pobreza do povo, falta de privacidade e fofocas como um aspecto cultural, descontente com a realidade vivida; Critica a intromissão na vida alheia, satiriza a marginalidade em prol do sustento, falta de recursos e exploração cultural. Possui um ponto de vista em relação a sociedade da época, que explicita sem pudor.

Julia Hess said...

Alunas: Júlia Hess e Emanueli Lunelli
A partir da análise dos poemas “Triste Bahia” e “Descreve o que era naquele tempo na cidade da Bahia”, pudemos perceber que o autor Gregório de Matos transmite sua visão do que representava o estado da Bahia para o Brasil naquela época. A Bahia concentrava muitas das grandes riquezas do Brasil e era o principal ponto de entrada de imigrantes e saída de matérias primas na época da colonização. Também demonstra a vulnerabilidade do estado e do país nas mãos dos colonizadores, como ressalta o trecho do primeiro poema:
“Rica te vi eu já, tu a mi abundante. A ti trocou-te a máquina mercante, Que em tua larga barra tem entrado”
Este trecho do poema retrata também a questão do próprio estado pensar apenas nele próprio e favorecer o comércio exterior. O segundo poema traz uma faceta mais irônica, utilizando-se de metáforas como no trecho: “não sabem governar sua cozinha,
e podem governar o mundo inteiro.”
Gregório de Matos utiliza de recursos próprios do conceptismo como o jogo de palavras, antíteses e jogos sonoros para transmitir sua crítica ao governo de forma um tanto quanto velada sem que fosse prejudicado.

Anonymous said...

Aluna: Laila Wilk
1º Ano Letras

Gregório de Matos utiliza rimas em seus poemas, que são bem consistentes e que dão uma musicalidade ao texto. Em ambos os textos, ele estruturou as palavras de forma que os versos contivessem cerca de três grandes rimas; em Triste Bahia, as palavras finais dos versos terminam em –ado, -nte, -ote e, no final, -uda. No segundo poema também é possível observar a presença do humor nas rimas: A cada canto um grande conselheiro/ que nos quer governar e vinha/ não sabe nem governar sua cozinha/ e podem governar o mundo inteiro. Neste trecho, ele critica um certo tipo de pessoa, e as rimas passam a ter um tom cômico, satírico. Tal característica é observável em várias partes do poema.
Os poemas possuem, também, diversas antíteses. No primeiro poema, Triste Bahia, ele se utiliza do passado/presente: Pobre te vejo a ti/ Rica te vi eu já. Nesses mesmos versos, há outra antítese: a do pobre/rico, a do bom/decadente. Esse jogo de palavras serve para realçar a importância do significado de cada uma delas, de forma crítica: ele vê a Bahia como sendo pobre, mas ela já fora, outrora rica. Como teria se dado essa mudança? Porque a Bahia teria decaído, empobrecido?
Através desses e outros artifícios barrocos, Gregório de Matos constrói poemas satíricos, que desconstroem a visão bela e clássica da poesia, onde somente a beleza é realçada e enaltecida. Nesses dois poemas, ele escreve sobre uma Bahia pobre, cujas pessoas são ainda mais pobres, se não de bens, de espírito, além de decadentes. E para realçar ainda mais essa pobreza, ele compara a Bahia que já fora rica, a Bahia dos tempos antigos, que não era habitada pela “ralé” mas por pessoas de bom porte.

Anonymous said...

aluno: Kleverson W. Schulze

A estruturação dos sonetos é humorada e melancólica, com o intuito de criticar e enfatizar a diferença social entre brancos e negros, além da queda econômica da Bahia.

Anonymous said...

Alunas: Luiza Vieira - Rute Maria dos Santos Schneider.
1º ano - letras.
O texto relata que Gregório de Matos tinha um pequeno conflito com os governos que limitaram os direitos sobre o absolutismo e os reformistas. A crise entre racionalismo era fortemente influente enquanto Portugal estava sendo abandonada socialmente, ou seja, os outros países eram beneficiados enquanto Portugal estava ficando cada vez para trás.
Gregório também expunha suas críticas contra o sistema, o que levou sua reputação para outro caminha que não era o esperado. As imigrações tiveram início, ou seja, os imigrantes chegavam no Brasil de passagem, e acabaram criando raízes físicas, porém, suas mentes ainda continuavam es seus países nativos, logo, os valores culturais tiveram desvalorização.

Fernando Martins said...

Em ambos os poemas, o assunto tratado é a irresponsabilidade dos governantes para com seu Estado. Trazendo nos versos a riqueza que a Bahia possui, mas mesmo assim sendo tão mal administrada e se tornando pobre na cultura, na economia e nas suas terras, através da desigualdade e anunciando uma decadência.
O eu lírico chama a atenção do povo sobre a exploração que ali ocorre. Descrevendo a situação com sentimentalismo e saudosismo do que costumava ser.
As metáforas são utilizadas, como por exemplo nas comparações sobre a economia baiana.
Fernando Jose Martins, Luana Kostantiuk

Lara M. said...

Em seus textos Gragorio utiliza uma linguagem culta e rebuscada o que dificulta a interpretação facilitada.
No primeiro texto ele critica as mudaças que ocorream tanto na visão panorâmica da regiao quanto às mudanças econômicas. Ele diz que a Bahia se tornou um lugar pobre por causa da produção de açúcar e por causa de sua hospitalidade com o comercio estrangeiro que não dava o devido valor a terra.
No segundo texto é criticado pelo autor a governo precário e incapaz da Bahia e o modo de vida fofoqueiro da sociedade.
No trecho do primeiro texto:
“Triste Bahia! Ó quão dessemelhante
Estás e estou do nosso antigo estado!”
É possível perceber a infelicidade do autor quanto à terra antes rica e agora usurpada, por dizer que está “Triste” e que a terra está ‘dessemelhante’.
Ainda nesta linha de pensamento:
“Rica te vi eu já, tu a mi abundante.
A ti trocou-te a máquina mercante,
Que em tua larga barra tem entrado”
Continua a relação de tristeza e de crítica do autor ao estado atual da Bahia, que virou uma terra mercantil, drenada de recursos, como especificado no trecho:
“Deste em dar tanto açúcar excelente
Pelas drogas inúteis, que abelhuda”
Finalizando, ele diz clama a Deus para que de repente, um dia amanheceras tão sisuda, ou seja, sensata.
Já no segundo texto:
“A cada canto um grande conselheiro,
que nos quer governar cabana, e vinha,
não sabem governar sua cozinha,
e podem governar o mundo inteiro.”
Critica duramente os governantes, que não sabem governar de jeito algum.
“Em cada porta um freqüentado olheiro,
que a vida do vizinho, e da vizinha
pesquisa, escuta, espreita, e esquadrinha,
para a levar à Praça, e ao Terreiro.”
E critica a sociedade que, num esforço inútil, tenta tomar conta da vida um do outro, só para se entreter ou maldizer.
“Muitos mulatos desavergonhados,
trazidos pelos pés os homens nobres,
posta nas palmas toda a picardia.
Estupendas usuras nos mercados,
todos, os que não furtam, muito pobres,
e eis aqui a cidade da Bahia.”
Já aqui, é complementado com o texto anterior, que criticava o empobrecimento da terra.

Lara MArquardt, Luiza Grilli e Gregory Sommavilla

Anonymous said...

Nos poemas de Gregório de Mattos observa-se o uso exacerbado da figura de linguagem antítese - em que as palavras se contrapõem. O autor vê a si mesmo e se projeta na sociedade baiana [...te vejo a ti, tu a mi...] O tom nostálgico empregado no poema comparando “a antiga Bahia” e a Bahia em que ele estava incluído, o autor preferia a Bahia antiga, a Bahia não explorada, ou seja, rica. Discutia as relações sociais do período, criticando o governo de uma forma satírica, expondo a troca de velhos conceitos por novos. O Gregório de Mattos fazia parte do movimento barroco, pode-se observar o conceptismo em suas palavras com o jogo de ideias que expunha. Neste poema há o pesar e exagero comuns do período barroco. O poema foi escrito em forma de soneto com rimas ABBA nos quartetos e ABA nos tercetos. O autor fazia frequente uso de ironias para criticar o contexto em que estava inserido.
Paula Huber e Gabriel Correa

Fellipe França said...

Gregório de Matos nos traz à mente uma imagem negativa da Bahia naquela época, retratada como uma região triste, pobre e abandonada, mas que já foi rica e esplendorosa uma vez (afirmação evidenciada pelo verso “Rica te eu já vi, tu a mi abundante.”).
Para pintar tal imagem da Bahia, o poeta faz grande uso dos recursos de linguagem barrocos, principalmente os cultismos, como jogos de palavras, metáforas e hipérboles. Em ambos os textos o autor se vale de rimas, além de criar um ritmo próprio e musicalidade.
No primeiro texto, Gregório de Matos se dedica principalmente à fazer um lamento pela Bahia, demonstrando a tristeza e a aflição que sentia ao ver no que seu estado estava se tornando em decorrência do avanço comercial.
O segundo texto é uma crítica ao governo baiano da época. De forma sutil, Gregório ataca os governantes e a corrupção praticada pelos mesmos, pode-se notar isso nos versos “não sabem governar sua cozinha, e podem governar o mundo inteiro” e “estupendas usuras nos mercados, todos os que não furtam, muito pobres”, respectivamente.

Fellipe França

Unknown said...

Gregório de Matos se utiliza de rimas que demonstram masculinidade em seus poemas. Podemos avaliar nos dois poemas os versos rimados, que ganham forma crítica e sarcástica, pois os trechos ficam rítmicos e ganham musicalidade.
Gregório transmite, nos poemas, sua visão sobre a Bahia, a vulnerabilidade do estado e aquilo que não é bonito. Se utiliza de artifícios barrocos e constrói poemas sátiros, onde desconstrói a clássica visão de beleza da poesia.
Trás críticas e mostra a realidade se utilizando das rimas, fazendo com que a poesia transforme algo feio aos olhos do algo Musical, poético. É astuto nas palavras, e perde-se em perfeição às críticas em meio à poesia.

Ana C. Schlichmann - 1°ano Letras

No Break´s Girls F.C. said...


As obras de Gregório de Matos fazem críticas a cidade da Bahia, sua cidade natal. No primeiro poema o autor lamenta a situação que a Bahia se encontra, visto que no passado foi rica, devastada pela exploração, principalmente pela época açucareira onde os recursos naturais eram prejudicados para levar riqueza à metrópole. No final do poema ele deseja que um dia a Bahia se torne livre com a simplicidade de um tecido de algodão, longe dos tecidos de qualidade superior como os da Europa. Já no segundo poema, o poeta critica a degradação moral e econômica em que a cidade da Bahia se encontra naquela época. Os ladrões e oportunistas, como os comerciantes por exemplo, são os que detém o poder político e econômico, enquanto os trabalhadores honestos estão na pobreza. Notamos também a decadência do povo trabalhador, como os engenhos de açúcar, e a ascensão da burguesia de uma forma oportunista.

Vinícius Queluz Ghisleri